quinta-feira, 29 de maio de 2008

Urgência médica de Curitiba será apresentada em Lisboa

PMC

A experiência de Curitiba no atendimento a urgências médicas, baseada em um protocolo próprio de classificação de risco usado nos Centros Municipais de Urgências Médicas da Prefeitura, será abordada no Encontro Internacional do Grupo de Trabalho da Triagem de Manchester, que começa nesta sexta-feira (29), em Lisboa, Portugal, e segue até sábado (30).

Além de Portugal e Brasil, o evento reunirá representantes do Reino Unido, Espanha, Holanda, Suécia e Alemanha, países com prática na atenção baseada em níveis de urgência. O diretor do Sistema de Urgências da Secretaria Municipal da Saúde, Matheos Chomatas, que participará do encontro, diz que um dos objetivos do evento é atualizar o protocolo desenvolvido no Reino Unido para triagem dos pacientes segundo o estado de risco, do qual o Brasil poderá tornar-se signatário.

Outra meta do encontro é validar o sistema de informatização, que já está sendo discutido em nível internacional e servirá aos profissionais de saúde como um indicativo de tempo e de técnicas de atendimento para cada paciente. "É uma grande oportunidade de atualização sobre um tema que interessa muito à rede municipal de saúde de Curitiba", diz Chomatas.

De acordo com o Protocolo de Manchester, dependendo do estado em que o paciente chega ao serviço de saúde, o atendimento pode ser imediato (para as situações muito graves) ou demorar de 15 minutos até 6 horas. Apesar de parecer uma espera longa, o tempo máximo previsto - estabelecido no processo de triagem previsto no protocolo - é plenamente aceitável para um atendimento eficiente e seguro.

"É basicamente o que estamos fazendo nos Centros Municipais de Urgências Médicas de Curitiba", explica Chomatas, referindo-se à rede pública de unidades de funcionamento 24 horas, e que responde pelo atendimento ambulatorial e hospitalar de casos de urgência de média complexidade. Curitiba já tem cinco centros de urgências em funcionamento - Fazendinha, Boqueirão, Cajuru, CIC e Sítio Cercado.

O sexto equipamento do mesmo padrão, o Centro de Urgências Médicas Campo Comprido, está praticamente pronto. E a Prefeitura já deu início à adequação da Unidade 24h Boa Vista, que será o sétimo centro de urgências da cidade. Além disso, a Unidade 24h Pinheirinho mantém leitos de internamento de média complexidade e atende dentro do conceito de centro de urgências.

Triagem
Nos centros de urgências, que conseguem atender integralmente mais de 90% da demanda que anteriormente chegaria obrigatoriamente à porta dos hospitais, não funcionam senhas ou ordem de chegada. O que determina quem terá prioridade de atendimento é a triagem feita por profissionais de saúde treinados, assim que cada paciente chega ao centro. Situações de saúde que não caracterizam urgência, e poderiam ser resolvidas satisfatoriamente nas unidades básicas, são atendidas somente depois que todas as prioridades forem resolvidas.

Os centros fazem parte da rede municipal de urgências médicas, composta também pelas unidades do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e pelos hospitais universitários de referência. O SAMU leva os pacientes até os centros de urgências, e, quando é o caso, transfere-os aos hospitais. Cada serviço desse porte realiza cerca de 700 atendimentos por dia.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Botox transforma vida de pacientes com espasticidade

"Campeão" de procedimentos estéticos mostra-se eficaz na reabilitação de pacientes neurológicos

Central Press

Conhecido pelas mulheres por fazer milagres com as marcas de expressão causadas pelo decorrer dos anos, o Botox também tem sido utilizado na área de terapia neurológica. As injeções de toxina botulínica, proteína de origem biológica, começaram a ser aplicadas pela equipe do Hospital VITA Curitiba este mês para tratar a espasticidade.

O problema é caracterizado por contrações musculares involuntárias, sintoma freqüente em pacientes que têm ou tiveram complicações no sistema nervoso central, como derrames, traumatismo craniano, lesões medulares e esclerose múltipla. O tratamento pode ser feito com uso de medicamentos via oral, procedimentos cirúrgicos e, agora, também com procedimentos locais, por meio de bloqueios químicos com o Botox.

O produto é aplicado com agulhas de insulina, sem anestesia, diretamente nos músculos comprometidos, bloqueando a atividade motora involuntária e permitindo o relaxamento da musculatura local. O neurologista do Hospital VITA Curitiba, Nilson Becker, que tem dez anos de experiência no tratamento da espasticidade, alerta que a toxina botulínica não traz resultados se for aplicada isoladamente. “O Botox está inserido em um processo de reabilitação. É importante que o paciente faça regularmente sessões de fisioterapia ou terapia ocupacional, em conjunto com as aplicações da toxina. É com a atuação dessa equipe interdisciplinar que o indivíduo pode encontrar resultados desejáveis”, esclarece.

Os resultados do Botox são observados entre sete e dez dias após a injeção, alcançando o “pico” em vinte dias. Segundo Becker, um adulto pode receber até seis frascos de Botox, porém, é indispensável esperar pelo menos três meses para realizar uma nova sessão. Os efeitos duram em média quatro meses, podendo se estender por um período maior. Após esse tempo, o paciente deve realizar nova avaliação para dar seqüência ao tratamento e verificar a necessidade de nova injeção do produto.
Os interessados podem marcar avaliação no serviço de Neurologia do VITA Curitiba, pelo telefone (41) 3315-1908.

Ação alerta sobre riscos de gravidez após os 35 anos

PMC

A Secretaria Municipal da Saúde está fazendo visita domiciliar a 249 mulheres a partir de 35 anos, com mais de três filhos e que tiveram bebês no ano passado. A ação alcança tanto pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) quanto de outras modalidades de assistência médica e visa a reforçar a importância do exercício da maternidade responsável - o direito consciente de engravidar ou não na faixa etária considerada de risco, mas sempre levando em conta o fato de essa mulher já ter uma família que precisa tanto dos seus cuidados quanto um futuro bebê.

Essas mulheres representam cerca de 1% das pouco mais de 24 mil gestantes de todas as idades que deram à luz no período. Segundo o coordenador do programa de atenção materno-infantil Mãe Curitibana, gineco-obstetra Javier Boza Jimenez, a iniciativa da Prefeitura de abordá-las decorre do fato de muitas curitibanas, apesar de já terem filhos, continuarem engravidando após os 35 anos - a fase em que tendem a desenvolver doenças crônico-degenerativas, como hipertensão arterial e diabetes, fatores de risco que podem ser potencializados durante a gravidez e influir negativamente sobre o desenvolvimento do bebê. A situação pode se agravar se a futura mãe é fumante e/ou está acima do peso.

"Apesar de a maternidade ser importante, um momento bonito na vida de um casal, não se pode esquecer que, a partir de uma certa etapa da vida, isso pode não ser conveniente para a saúde da mulher", argumenta Jimenez. Por isso, frisa, o melhor é discutir uma possível nova gravidez ou a sua prevenção com o médico. "Ele é a pessoa indicada para acompanhar a gestação ou indicar o método mais apropriado de planejamento familiar", diz.

Planejamento

Em Curitiba, as unidades municipais de saúde oferecem o Programa de Planejamento Familiar - um variado conjunto de métodos anticoncepcionais escolhidos de acordo com o perfil de saúde dos casais. Entre eles estão as pílulas, os injetáveis e as cirurgias para mulheres (laqueadura) e para homens (vasectomia), fornecidos gratuitamente para quem está cadastrado na rede municipal de saúde.

A definição do método a ser adotado, porém, acontece somente depois de os interessados participarem de reuniões do programa, conhecerem como age cada um e suas implicações e, com o médico, concluírem qual o mais indicado. O tema também é trabalhado junto às gestantes cadastradas no Mãe Curitibana, para que elas possam planejar sua rotina depois do nascimento do bebê.

Risco

A questão da gravidez tardia é tão delicada que, mesmo fazendo o pré-natal com o rigor previsto pelo programa Mãe Curitibana, a gestante com esse perfil não está livre de ter um bebê prematuro ou portador de anomalias congênitas (como doenças cardíacas) ou cromossômicas (como a Síndrome de Down). Também não se descarta o risco de morte para ela e para o bebê. "Tudo isso deve ser pesado antes que a gravidez ocorra", alerta o coordenador do Mãe Curitibana.

De acordo com o protocolo do Mãe Curitibana, gestantes de alto risco são acompanhadas na unidade básica de saúde e em ambulatório especializado e têm acesso diferenciado a consultas e exames complementares. A meta, com isso, é reduzir o impacto dos problemas de saúde que ela tenha sobre a própria saúde e a do bebê. Contudo, o alerta não significa que toda mulher madura não possa ter uma gravidez e um parto tranqüilo e um bebê saudável.

É o caso da dona-de-casa Neumari Cardoso, do Bairro Novo, que teve o quinto filho aos 39 anos, depois de ser avó de uma criança de 3 anos. Sua meta, agora, é fazer uma laqueadura. "Amo todos os meus filhos, mas agora chega. Estou certa de que vai ser o melhor para todos nós", diz ela, que foi mãe pela primeira vez aos 20 anos e é acompanhada pela Unidade de Saúde Bairro Novo.

Para o coordenador do Mãe Curitibana, a mulher não pode esquecer de que não é apenas o fruto dessa gestação que depende da mãe: ela precisa garantir sua saúde e bem-estar para manter-se em condições de dar suporte à família que já estruturou e depende dos seus cuidados. "Nossa intenção é somente deixar bem claro todas as possibilidades e que uma gravidez na maturidade não pode ser um acidente, mas uma opção muito consciente", afirma.