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A Secretaria Municipal da Saúde está fazendo visita domiciliar a 249 mulheres a partir de 35 anos, com mais de três filhos e que tiveram bebês no ano passado. A ação alcança tanto pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) quanto de outras modalidades de assistência médica e visa a reforçar a importância do exercício da maternidade responsável - o direito consciente de engravidar ou não na faixa etária considerada de risco, mas sempre levando em conta o fato de essa mulher já ter uma família que precisa tanto dos seus cuidados quanto um futuro bebê.
Essas mulheres representam cerca de 1% das pouco mais de 24 mil gestantes de todas as idades que deram à luz no período. Segundo o coordenador do programa de atenção materno-infantil Mãe Curitibana, gineco-obstetra Javier Boza Jimenez, a iniciativa da Prefeitura de abordá-las decorre do fato de muitas curitibanas, apesar de já terem filhos, continuarem engravidando após os 35 anos - a fase em que tendem a desenvolver doenças crônico-degenerativas, como hipertensão arterial e diabetes, fatores de risco que podem ser potencializados durante a gravidez e influir negativamente sobre o desenvolvimento do bebê. A situação pode se agravar se a futura mãe é fumante e/ou está acima do peso.
"Apesar de a maternidade ser importante, um momento bonito na vida de um casal, não se pode esquecer que, a partir de uma certa etapa da vida, isso pode não ser conveniente para a saúde da mulher", argumenta Jimenez. Por isso, frisa, o melhor é discutir uma possível nova gravidez ou a sua prevenção com o médico. "Ele é a pessoa indicada para acompanhar a gestação ou indicar o método mais apropriado de planejamento familiar", diz.
Planejamento
Em Curitiba, as unidades municipais de saúde oferecem o Programa de Planejamento Familiar - um variado conjunto de métodos anticoncepcionais escolhidos de acordo com o perfil de saúde dos casais. Entre eles estão as pílulas, os injetáveis e as cirurgias para mulheres (laqueadura) e para homens (vasectomia), fornecidos gratuitamente para quem está cadastrado na rede municipal de saúde.
A definição do método a ser adotado, porém, acontece somente depois de os interessados participarem de reuniões do programa, conhecerem como age cada um e suas implicações e, com o médico, concluírem qual o mais indicado. O tema também é trabalhado junto às gestantes cadastradas no Mãe Curitibana, para que elas possam planejar sua rotina depois do nascimento do bebê.
Risco
A questão da gravidez tardia é tão delicada que, mesmo fazendo o pré-natal com o rigor previsto pelo programa Mãe Curitibana, a gestante com esse perfil não está livre de ter um bebê prematuro ou portador de anomalias congênitas (como doenças cardíacas) ou cromossômicas (como a Síndrome de Down). Também não se descarta o risco de morte para ela e para o bebê. "Tudo isso deve ser pesado antes que a gravidez ocorra", alerta o coordenador do Mãe Curitibana.
De acordo com o protocolo do Mãe Curitibana, gestantes de alto risco são acompanhadas na unidade básica de saúde e em ambulatório especializado e têm acesso diferenciado a consultas e exames complementares. A meta, com isso, é reduzir o impacto dos problemas de saúde que ela tenha sobre a própria saúde e a do bebê. Contudo, o alerta não significa que toda mulher madura não possa ter uma gravidez e um parto tranqüilo e um bebê saudável.
É o caso da dona-de-casa Neumari Cardoso, do Bairro Novo, que teve o quinto filho aos 39 anos, depois de ser avó de uma criança de 3 anos. Sua meta, agora, é fazer uma laqueadura. "Amo todos os meus filhos, mas agora chega. Estou certa de que vai ser o melhor para todos nós", diz ela, que foi mãe pela primeira vez aos 20 anos e é acompanhada pela Unidade de Saúde Bairro Novo.
Para o coordenador do Mãe Curitibana, a mulher não pode esquecer de que não é apenas o fruto dessa gestação que depende da mãe: ela precisa garantir sua saúde e bem-estar para manter-se em condições de dar suporte à família que já estruturou e depende dos seus cuidados. "Nossa intenção é somente deixar bem claro todas as possibilidades e que uma gravidez na maturidade não pode ser um acidente, mas uma opção muito consciente", afirma.
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