Boa escovação e uso do fio dental previnem as doenças periodontais
IEME Comunicação
Depois das cáries, as doenças periodontais são os grandes vilões dos dentistas. Bactérias se acumulam na região ao redor do dente e atacam gengivas, ossos e os ligamentos que sustentam o dente. Muitas vezes, o acúmulo dessas bactérias é resultado da escovação e do uso de fio dental inadequados. O estágio inicial das doenças periodontais é a gengivite, inflamação da gengiva caracterizada por vermelhidão e sangramentos, que aparecem espontaneamente ou na hora da escovação.
Esses sintomas são o começo de um mal que pode piorar e quase sempre é indolor. “Não há dor porque, as gengivas, diferente dos dentes, têm grande capacidade de expansão. Quando agredidas, sua irrigação aumenta, mas elas têm espaço para receber o sangue. Isso faz com que muitos pacientes só procurem ajuda quando o estágio da doença está avançado”, explica o cirurgião-dentista Marcio Melara. Segundo dados estatísticos, 80% da população já apresentou casos de gengivite.
As doenças periodontais são causadas principalmente pela presença da placa bacteriana e tártaro no tecido ao redor do dente. A periodontite, geralmente, é conseqüência de uma gengivite não tratada, que ocorre quando os tecidos ao redor do dente já estão comprometidos. Mas, há algumas situações que podem se iniciar diretamente com a periodontite, sem passar pelo estágio inicial da gengivite. “Se o problema persistir, ocorrerá uma grande destruição das estruturas de sustentação do dente (osso, gengiva e ligamentos) e ele poderá até chegar a cair”, explica Melara.
Além disso, estudos dizem que o diabetes tipo 2 (mellitus) influencia na instalação e progressão da doença periodontal por diversos fatores, entre eles a baixa imunidade do paciente, que fica mais propenso a contrair infecções. Pesquisas mostram inter-relação de doenças periodontais com doenças sistêmicas, tais como doenças respiratórias, osteoporose, nascimento de crianças prematuras e crianças com baixo peso. A desnutrição, leucemia, AIDS e o tabagismo também são fatores que intensificam as chances de as doenças periodontais aparecem. Fumantes têm até quatro vezes mais chances de ter a doença.
A prevenção dessas complicações é simples: o uso corretamente de fio e escova dental para remover a placa bacteriana que se adere aos dentes e próteses. Se esses cuidados diários não forem suficientes para remover a placa, ela produzirá substâncias que podem irritar o tecido periodontal, causando a gengivite.
Tratamento Quanto mais avançada a doença, mais complexo é o tratamento. Segundo Melara, a gengivite desaparece com a higienização bucal. É importante sempre fazer uma boa escovação e não esquecer do fio dental, dessa maneira, o ressurgimento do problema é evitado. “Já a periodontite exige cuidados profissionais. Há a necessidade de raspagem para remoção de todo o tártaro (placa endurecida) e da superfície doente da raiz. Antibióticos podem ser receitados, especialmente quando a doença está numa fase aguda”, ressalta. Além disso, cirurgias podem ser necessárias caso a raspagem não controlem a doença, ou se estiver muito avançada, com perda óssea ao redor dos dentes.
Recomenda-se visitar o dentista para a manutenções nos dentes a cada 3 ou 4 meses, dependendo do caso.
Em tempo:
O cirurgião-dentista Marcio Melara é especialista em implantes e próteses sobre implantes. É membro da Sociedade Brasileira de Periodontia e da American Academy of Periodontology. Pesquisador independente, atualmente desenvolve pesquisa sobre a relação doença periodontal/cardiopatias ateroscleróticas junto ao Hospital Cardiológico Costantini.