quarta-feira, 25 de junho de 2008

Cuidados simples garantem a saúde bucal

Boa escovação e uso do fio dental previnem as doenças periodontais

IEME Comunicação

Depois das cáries, as doenças periodontais são os grandes vilões dos dentistas. Bactérias se acumulam na região ao redor do dente e atacam gengivas, ossos e os ligamentos que sustentam o dente. Muitas vezes, o acúmulo dessas bactérias é resultado da escovação e do uso de fio dental inadequados. O estágio inicial das doenças periodontais é a gengivite, inflamação da gengiva caracterizada por vermelhidão e sangramentos, que aparecem espontaneamente ou na hora da escovação.

Esses sintomas são o começo de um mal que pode piorar e quase sempre é indolor. “Não há dor porque, as gengivas, diferente dos dentes, têm grande capacidade de expansão. Quando agredidas, sua irrigação aumenta, mas elas têm espaço para receber o sangue. Isso faz com que muitos pacientes só procurem ajuda quando o estágio da doença está avançado”, explica o cirurgião-dentista Marcio Melara. Segundo dados estatísticos, 80% da população já apresentou casos de gengivite.

As doenças periodontais são causadas principalmente pela presença da placa bacteriana e tártaro no tecido ao redor do dente. A periodontite, geralmente, é conseqüência de uma gengivite não tratada, que ocorre quando os tecidos ao redor do dente já estão comprometidos. Mas, há algumas situações que podem se iniciar diretamente com a periodontite, sem passar pelo estágio inicial da gengivite. “Se o problema persistir, ocorrerá uma grande destruição das estruturas de sustentação do dente (osso, gengiva e ligamentos) e ele poderá até chegar a cair”, explica Melara.

Além disso, estudos dizem que o diabetes tipo 2 (mellitus) influencia na instalação e progressão da doença periodontal por diversos fatores, entre eles a baixa imunidade do paciente, que fica mais propenso a contrair infecções. Pesquisas mostram inter-relação de doenças periodontais com doenças sistêmicas, tais como doenças respiratórias, osteoporose, nascimento de crianças prematuras e crianças com baixo peso. A desnutrição, leucemia, AIDS e o tabagismo também são fatores que intensificam as chances de as doenças periodontais aparecem. Fumantes têm até quatro vezes mais chances de ter a doença.

A prevenção dessas complicações é simples: o uso corretamente de fio e escova dental para remover a placa bacteriana que se adere aos dentes e próteses. Se esses cuidados diários não forem suficientes para remover a placa, ela produzirá substâncias que podem irritar o tecido periodontal, causando a gengivite.

Tratamento Quanto mais avançada a doença, mais complexo é o tratamento. Segundo Melara, a gengivite desaparece com a higienização bucal. É importante sempre fazer uma boa escovação e não esquecer do fio dental, dessa maneira, o ressurgimento do problema é evitado. “Já a periodontite exige cuidados profissionais. Há a necessidade de raspagem para remoção de todo o tártaro (placa endurecida) e da superfície doente da raiz. Antibióticos podem ser receitados, especialmente quando a doença está numa fase aguda”, ressalta. Além disso, cirurgias podem ser necessárias caso a raspagem não controlem a doença, ou se estiver muito avançada, com perda óssea ao redor dos dentes.

Recomenda-se visitar o dentista para a manutenções nos dentes a cada 3 ou 4 meses, dependendo do caso.

Em tempo:

O cirurgião-dentista Marcio Melara é especialista em implantes e próteses sobre implantes. É membro da Sociedade Brasileira de Periodontia e da American Academy of Periodontology. Pesquisador independente, atualmente desenvolve pesquisa sobre a relação doença periodontal/cardiopatias ateroscleróticas junto ao Hospital Cardiológico Costantini.

Recém-nascidos sentem mais dores do que se pensava, diz estudo

BBC Brasil

Um estudo conduzido por pesquisadores britânicos sugere que bebês recém-nascidos sentem mais dor do que se pensava.

A equipe, do University College London, afirmou que os bebês demonstram dores ou desconforto não apenas quando choram, mas também quando dobram pés e pernas, arqueiam as costas, esticam os dedos e fazem caretas.

Os especialistas monitoraram a atividade cerebral de 12 bebês, alguns deles prematuros, durante o teste do pezinho --um procedimento médico que consiste em retirar algumas gotas de sangue do bebê para detectar possíveis doenças genéticas e infecciosas que poderão afetar seu desenvolvimento.

O estudo, divulgado na publicação científica "Public Library of Science: Medicine", detectou que expressões faciais, como caretas, olhos espremidos e testa franzida já eram suficientes para indicar que os bebês estavam sentindo dor. O choro, afirmaram os pesquisadores, apontava que a dor estava muito forte.

Mas o monitoramento do cérebro revelou ainda que alguns recém-nascidos tiveram reações cerebrais associadas a dor, porém não as expressaram por meio de respostas físicas --o que, na avaliação dos especialistas, levanta suspeitas de que os médicos podem estar "subestimando o quanto os bebês sofrem com dores".

A coordenadora do estudo, Rebeccah Slater, espera que o trabalho ajude médicos e pais a melhor identificar os sinais de dor por meio de expressões e movimentos corporais.

"Apesar de nosso estudo ser limitado, aumenta a preocupação sobre as ferramentas que são utilizadas pelos médicos para estabelecer o nível de dor em recém-nascidos", disse a médica.

Ainda segundo a pesquisadora, o choro das crianças não é a melhor forma de avaliar sua dor. "Elas choram quando estão com dor, mas também o fazem quando estão com frio, fome, cansadas ou estressadas", declarou. "Então, só porque um bebê está chorando, não significa que esteja com dor. Além do mais, alguns nem choram quando sentem dores."